Como Calcular o CMV do Seu Restaurante Passo a Passo
Escrito por
Roberto Filho
Criador do FichaTech e fundador da Modena Massas Artesanais
Publicado em 13 de junho de 2026
5 min
Aprenda a calcular o CMV (Custo da Mercadoria Vendida) do seu restaurante manualmente, com um exemplo prático, fórmula explicada e dicas para transformar isso em uma rotina mensal.
O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é um dos indicadores mais importantes para entender se o seu restaurante está lucrando ou perdendo dinheiro a cada prato vendido. Se você ainda não sabe exatamente o que é o CMV e por que ele é tão importante, vale a pena ler primeiro nosso guia completo sobre o assunto. Aqui, o foco é diferente: vamos te mostrar, na prática, como calcular o CMV do seu restaurante manualmente, passo a passo, usando apenas papel, caneta (ou uma planilha simples) e os números que você já tem em mãos.
Fazer esse cálculo manualmente pelo menos uma vez é importante porque te obriga a entender de onde vem cada número. Depois que você entender o processo, pode automatizar com uma calculadora ou sistema -- mas o entendimento por trás da fórmula nunca deixa de ser útil.
Passo 1: Reúna os dados que você vai precisar
Antes de qualquer conta, você precisa ter em mãos quatro números referentes ao período que vai analisar (geralmente um mês):
Estoque inicial: o valor (em R$, pelo custo de compra) de tudo o que você tinha em estoque no primeiro dia do período. Isso inclui ingredientes, bebidas, embalagens usadas na produção -- tudo que está no seu CMV.
Compras do período: a soma de todas as notas fiscais e recibos de compra de insumos durante o mês. Some os valores pagos a fornecedores, incluindo fretes quando aplicável.
Estoque final: o valor do que sobrou em estoque no último dia do período. Para isso, é necessário fazer uma contagem física (inventário) de tudo que está na cozinha, no estoque seco, na geladeira e no freezer, multiplicando as quantidades pelo custo unitário de cada item.
Receita de vendas do período: o total faturado em vendas no mesmo período, geralmente disponível no seu sistema de PDV (ponto de venda) ou no relatório do seu sistema de gestão.
Dica: se você nunca fez um inventário físico, comece simples. Liste os principais ingredientes (os que têm maior impacto no custo) e vá refinando a contagem nos meses seguintes.
Passo 2: A fórmula do CMV
Com os quatro números em mãos, a fórmula do CMV é:
CMV = (Estoque Inicial + Compras - Estoque Final) / Receita de Vendas
Em palavras simples: você soma o que tinha de estoque no início com tudo o que comprou durante o período, e subtrai o que sobrou no final. O resultado é o valor, em reais, de tudo o que efetivamente foi consumido (vendido, usado ou perdido) durante o período. Depois, você divide esse valor pela receita de vendas para descobrir o percentual do seu faturamento que foi "gasto" com mercadoria.
O resultado é expresso em porcentagem. Por exemplo, um CMV de 0,32 significa que 32% de tudo o que você faturou foi consumido em custo de mercadoria -- o restante (68%) precisa cobrir mão de obra, aluguel, impostos, despesas fixas e, claro, o lucro.
Passo 3: Exemplo prático com números reais
Vamos usar como exemplo a Lanchonete da Praça, um restaurante fictício que quer calcular o CMV do mês de maio.
Estoque inicial (1 de maio): R$ 8.500,00
Compras durante o mes: R$ 22.300,00
Estoque final (31 de maio): R$ 7.100,00
Receita de vendas no mes: R$ 68.000,00
Aplicando a fórmula:
CMV = (8.500 + 22.300 - 7.100) / 68.000
CMV = 23.700 / 68.000
CMV = 0,3485, ou seja, 34,85%
Isso significa que, em maio, a Lanchonete da Praça gastou aproximadamente R$ 0,35 em mercadoria para cada R$ 1,00 faturado. Se a meta do restaurante é manter o CMV abaixo de 32%, esse resultado indica que algo precisa ser ajustado -- seja revisando fichas técnicas, renegociando preços com fornecedores ou reduzindo desperdício.
Passo 4: Transformando isso em uma rotina mensal
Calcular o CMV uma vez não resolve muita coisa -- o valor real está em acompanhar a evolução mês a mês. Para isso, algumas práticas ajudam:
Defina um dia fixo para o inventário: sempre no último dia do mês (ou primeiro dia útil do mês seguinte), para manter a consistência entre os períodos.
Padronize quem faz a contagem: idealmente a mesma pessoa ou equipe, seguindo a mesma lista de itens e o mesmo método de contagem todos os meses.
Registre tudo: mantenha uma planilha simples com estoque inicial, compras, estoque final, receita e CMV calculado de cada mês, para identificar tendências ao longo do tempo.
Compare período a período: olhe a evolução do CMV mês a mês e investigue qualquer variação brusca -- pode indicar erro de contagem, aumento de preço de fornecedor ou desperdício fora do padrão.
Erros comuns ao calcular o CMV
Contar o estoque errado: esquecer itens em freezers extras, depósitos ou até no carro do gerente é mais comum do que parece. Um estoque mal contado distorce todo o cálculo.
Ignorar perdas e desperdício: produtos vencidos, quebras, erros de preparo e sobras descartadas continuam sendo "consumo" para fins de CMV, mesmo que não tenham gerado receita. Ignorar isso faz o CMV parecer melhor do que realmente é.
Comparar períodos diferentes de forma inconsistente: comparar um mês de 28 dias com um mês de 31 dias, ou um mês com promoção especial com um mês normal, sem considerar essas diferenças, pode levar a conclusões erradas.
Esquecer de atualizar preços de compra: usar valores antigos de ingredientes para calcular o estoque (inicial ou final) quando o preço do fornecedor mudou gera distorções no resultado.
Não separar custos que não deveriam entrar no CMV: materiais de limpeza, descartáveis de escritório e outros itens que não fazem parte da produção do prato não devem ser incluídos no cálculo.
Uma alternativa mais rápida
Fazer esse cálculo manualmente todos os meses funciona, mas exige disciplina, organização e tempo -- principalmente na hora de levantar o estoque inicial e final. Se preferir não fazer as contas manualmente, veja nossa calculadora de CMV, que aplica a mesma fórmula automaticamente a partir dos números que você informar.
E se você quiser ir além do cálculo isolado e ter o CMV calculado automaticamente a partir das suas fichas técnicas, compras e vendas integradas, o FichaTech faz esse trabalho para você, em tempo real, sem planilhas.
Sobre o autor
Roberto Filho
Criador do FichaTech e fundador da Modena Massas Artesanais
Roberto Filho escreve sobre CMV, ficha técnica e precificação a partir da combinação de tecnologia com operação real de cozinha. O conteúdo nasce da prática de quem precisou transformar custo e margem em rotina decisória, sem depender de planilhas frágeis.
Próximo passo prático
FAQ
Qual a diferença entre CMV e custo de produção?
O CMV considera o custo de toda a mercadoria consumida em um período (incluindo perdas e desperdício), enquanto o custo de produção foca no custo dos ingredientes de uma receita específica, geralmente calculado via ficha técnica.
Com que frequência devo calcular o CMV?
O ideal é calcular mensalmente, sempre no mesmo dia do mês, para conseguir comparar a evolução do indicador ao longo do tempo de forma consistente.
O que fazer se o CMV estiver muito alto?
Revise suas fichas técnicas em busca de porções incorretas, verifique se há desperdício ou perdas não contabilizadas, renegocie preços com fornecedores e confirme se os preços de venda estão adequados ao custo atual dos ingredientes.
CMV inclui embalagens e descartáveis?
Sim, embalagens e descartáveis utilizados diretamente na produção e entrega dos pratos (como caixas para delivery, guardanapos e copos) devem ser considerados no CMV, pois fazem parte do custo de cada venda.
Posso calcular o CMV sem fazer inventário físico?
É possível estimar, mas o resultado será impreciso. O inventário físico (contagem real do estoque) é o que garante que o estoque inicial e final usados na fórmula reflitam a realidade do seu restaurante.
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